Idec alerta: corante de gelatinas não é tão inofensivo quanto se imagina Instituto defende mobilização para que legislação seja mais restritiva Luciana Casemiro A alimentação infantil está na pauta do dia do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O último teste realizado verificou a concentração de corantes em 32 amostras de gelatina. Este aditivo, segundo estudos internacionais, pode causar distúrbios de saúde, principalmente em crianças que ingerem um maior número de produtos com a substância, como refrigerantes, biscoitos e iogurtes, sem falar nos doces. Apesar de o laudo apontar que as sobremesas usam os aditivos no limite da lei, Carlos Thadeu de Oliveira, supervisor de informação do Idec e responsável pela pesquisa, diz que não há motivo para comemorar. Para o especialista, é hora de os consumidores se mobilizarem para uma legislação mais restritiva: - Nas simulações, constatamos que uma criança, com cerca de 30kg, que comesse quatro porções de gelatina já teria ingerido o limite de corantes recomendável para um dia - explica Oliveira, ressaltando que alguns corantes preocupam mais. - Percebemos, nas gelatinas de cereja, alta concentração do corante Bordeaux S., já proibido em países como EUA, Noruega e Rússia. Oliveira chama atenção ainda para o uso do corante Amarelo Tartrazina, que comprovadamente causa reações adversas, como asma brônquica: - Nos medicamentos, quando esse corante faz parte da composição, há um alerta na embalagem. Nos produtos alimentícios isso ainda não acontece. Há alternativas menos perigosas à saúde. Nossas leis são muito permissivas comparadas às de outros países.Instituto defende mudança no rótulo de alimentos Oliveira chama atenção ainda para o fato de que estudos da Universidade de Southampton e do Imperial College, do Reino Unido, com 153 crianças, constataram que uma mistura de corantes e um conservante (benzoato de sódio) teve efeito significativo em crianças de 3 anos, com relação ao aumento da hiperatividade: - Se ainda não há estudos conclusivos, muitos apontam para os riscos dos corantes. Temos de acender os alarmes - afirmou. Ainda em relação a alimentos, o Idec levou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma proposta para facilitar a compreensão das informações dos rótulos dos produtos. A idéia do instituto, já usada em países como Espanha e Reino Unido, é incluir nos rótulos uma referência baseada nas cores vermelho, amarelo e verde.
O que definiria a cor a ser usada seria uma tabela baseada em estudos
internacionais.
Se o alimento contiver, em uma porção de 100g, menos de 5% da quantidade
permitida de ingestão diária de um determinado nutriente, seria identificado
com a cor verde. Se a quantidade estiver entre 5% e 20% virá em amarelo e
mais de 20%, em vermelho. |