Número de casos de intoxicação alimentar aumenta no período de férias

G1 - 29.12.08

Na praia, nem precisa levantar da cadeira para escolher o cardápio. No meio da rua, o vendedor dá o troco. De mão suja, serve o milho. E ainda tem lixo perto da comida. Mesmo assim, aquele lanchinho rápido parece irresistível.

''Na hora da fome, na hora do lanche, você realmente tem que comer alguma coisa. Mesmo que seja fritura, como no meu caso”, justifica a funcionária pública Maria Cristina Ferreira, ao saborear um pastel de queijo.

Nesta época do ano, refeições fora de casa se tornam rotina. Muita gente viaja e dá férias para o fogão. Resultado: aumenta o risco de doenças. O Ministério da Saúde já está atento. Janeiro é o mês com maior número de surtos relacionados a alimentos contaminados. Expostos à sujeira, manipulados sem higiene.

Para evitar o pior, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária dá dicas. A primeira regra é básica e o moço do churrasquinho garante que já aprendeu: “todo mundo de mãozinha lavada, bem limpinho, né?”,
lembra.

Os alimentos cozidos não devem ficar à temperatura ambiente por mais de duas horas. Depois de preparada, a comida deve ser consumida em no máximo cinco dias, mesmo que esteja refrigerada. Maionese fora da geladeira é um perigo. Um prato cheio para os micróbios. Outra dica: se a água usada no preparo do alimento ou para fazer gelo não for potável, deve ser fervida por pelo menos um minuto.

Os alimentos que causam intoxicação nem sempre têm cheiro ruim ou gosto estranho. Pode parecer que está tudo certo. Mesmo assim, horas ou até dias depois do consumo, aparecem sintomas como vômito e diarréia.

Os médicos recomendam beber muito líquido para evitar a desidratação: água ou soro caseiro. “Se perdurar mais que 24 ou 48 horas, apresentando sintomas de náuseas, dores abdominais e diarréia, é importante que a pessoa procure um médico para poder, a partir daí, estabelecer o diagnóstico correto”, aconselha o gastroenterologista

Paulo Eugênio Brant.